Alice Vieira
Fonte: Universos da Palavra da Alfabetização à Literatura – Zuleika de Felice Murrie/Alice Vieira/Harry Vieira Lopes – Coleção Reflexão e Ação no Magistério
Introduzir o jovem no mundo da leitura, descobrindo o poder e o fascínio do imaginário, concretizado na palavra escrita parece ser, muitas vezes tarefa impossível.
Na formação do indivíduo, em um ponto qualquer do percurso escolar, ocorre uma ruptura entre a criança ouvinte e leitora de contos de fadas e textos de literatura infantil e o adolescente indiferente a textos ficcionais. A criança que vivia aventuras encantadoras, perigosas, deslumbrantes, identificando-as, acomodando o maravilhoso ao cotidiano, parece desaparecer. Em seu lugar encontramos o adolescente inquieto, atraído pelo videogame e outros aparelhos eletrônicos que parecem à primeira vista, mais envolventes e dinâmicos do que a leitura.
Restaurar vínculo rompido, criando uma ponte entre a criança leitora e o futuro leitor da literatura apresenta-se como um desafio instigante. O trabalho com contos, nas escolas de 1º e 2º graus, pode ser um meio pelo qual o professor-leitor vencerá o desafio despertando nos alunos o prazer da leitura.
Contos, contos, contos... Contos de escritores modernos e/ou contemporâneos, que desenvolvem temas mais próximos dos anseios e preocupações dos jovens, correspondendo a suas expectativas de vida. Escritos segundo a norma padrão da língua, em linguagem elaborada, mas com estruturas sintáticas e léxico mais conhecidos e acessíveis aos alunos.
O conto, por ser uma narrativa curta, oferece, do ponto de vista pedagógico, a oportunidade de se trabalhar um texto integral, acabado, no lugar de trechos selecionados, quase sempre descontextualizados. Além disso, todos os elementos constitutivos da narrativa nele estão presentes, possibilitando ao aluno iniciar-se no estudo da análise literária. Conhecimento que poderá ser transposto a outros gêneros literários.
Em sua elaboração, os contos contemporâneos contemplam inúmeras vertentes temáticas, tendo como cerne situações “vividas pelo homem”. Situações que são exploradas em formas e registros literários, os mais diversos.
Contos que abordam o realismo fantástico, o maravilhoso, o mágico, talvez sejam um bom início. Nesses contos, o insólito, o inesperado, o fantástico irrompem no cotidiano das personagens e ai se integram. Cotidiano/fantasia, sonho/realidade, realidade/imaginação, binômios em que o destino das personagens se constrói, adquirindo novos significados. Ilusão, medo, euforia, devaneio, angustia, alegria, horror, fantasia, morte entrelaçam-se, tecendo realidades em que as personagens se harmonizam ou se desesperam.
Murilo Rubião, José J.Veiga, Edgar Allan Poe, Jorge Luiz Borges, Oscar Wilde são alguns dos escritores representativos da corrente literária. Encontram-se em outros escritores alguns contos da mesma natureza: O homem do furo na mão, O homem que procurava a máquina, ambos de Ignácio de Loyola Brandão; O noivo, de Lygia Fagundes Telles por exemplo.
João Antônio, Dalton Trevisan, Alcântara Machado, Aníbal Machado, Rubens Fonseca, Lygia Fagundes Telles, Mário de Andrade são alguns dos escritores que exploram o Realismo em seus textos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário